Nesta minha série de entrevistas com venture capitals, tive o prazer de receber uma liderança feminina de destaque no ecossistema, Maíra B. R. Castro, Partner da Supera VC. Nosso primeiro contato aconteceu em um evento da AWS, a convite de Semi Kim, que, para quem acompanha o ecossistema de inovação, dispensa apresentações. A partir de uma troca franca de ideias e experiências, ficou claro que a trajetória da Maíra reunia exatamente o que eu buscava trazer nesta nova série: a visão de quem viveu a execução em startups, enfrentou os desafios da operação e, depois, voltou à cadeira de investimento. Nas próximas linhas, compartilho uma síntese dos principais insights desse papo, que ajuda a entender como o venture capital amadureceu e o que ele espera hoje dos founders.
Da consultoria à execução: formando o olhar da investidora
Formada em Administração pela FGV e com MBA pela University of Chicago Booth School of Business, Maíra iniciou sua carreira em consultoria estratégica, ainda com a ideia de migrar para private equity. Foi durante o MBA que teve contato mais profundo com tecnologia, empreendedorismo e venture capital — um caminho que mudaria definitivamente sua trajetória.
De volta ao Brasil, ingressou na Kaszek, um dos fundos mais relevantes da América Latina. Ali teve seu primeiro contato direto com venture capital, convivendo com sócios que haviam sido empreendedores e construído empresas como o Mercado Livre. Esse ponto foi decisivo: entender que o valor do investidor vai muito além do capital.
Mas faltava algo. Para compreender de fato o que era empreender, Maíra decidiu mudar de lado.
Ela passou quase cinco anos no Wellhub (antigo Gympass), atuando inicialmente em operações e depois liderando áreas de produto e tecnologia, vivenciando de perto uma pivotagem relevante (B2C para B2B), além do desafio extremo imposto pela pandemia.
Depois vieram passagens pelo Grupo OLX e pela XP Inc., já em um ambiente corporativo, liderando times em projetos de transformação digital em uma companhia listada.
A Supera VC nasce formalmente há cerca de três anos, mas carrega uma bagagem mais longa. Parte de seus sócios vem da trajetória da Joá Investimentos e da IGA Ventures, com experiência acumulada em venture capital, private equity e mercado financeiro.
A Supera VC levantou um primeiro fundo de US$ 27 milhões, com a Globo Ventures como um de seus principais investidores, e atua de forma focada em rodadas pre-seed e seed. A tese é setor-agnóstica e o foco está no founder.
Founder em primeiro lugar
Second-time founders, velocidade de decisão, capacidade de execução e reação em cenários adversos são elementos centrais na análise. O product-market fit é construído ao longo da jornada, e a disposição para pivotar é essencial.
Smart money na prática
O diferencial está na abertura de portas, aceleração comercial, apoio em branding e posicionamento estratégico. Smart money é prática, não discurso.
O novo ciclo do venture capital
Menos rodadas, mais diligência, foco em eficiência de capital e caminho claro para o breakeven definem o cenário pós-inverno do venture capital.
AI-first e visão global
IA deixou de ser acessório e passou a ser infraestrutura. Startups que nascem locais, mas pensam globalmente, ganham vantagem competitiva.
Considerações finais
Venture capital, no fim, é uma relação construída sobre confiança e alinhamento de expectativas. Alguns founders ainda enxergam investidores como crushs — algo a ser conquistado no curto prazo — quando, na prática, essa relação se assemelha muito mais a um casamento de longo prazo. Ela começa muito antes do term sheet e atravessa momentos de pressão, decisões difíceis e ciclos de incerteza. Escolher bem quem estará ao seu lado é parte fundamental da jornada empreendedora.
Para quem deseja se aprofundar ainda mais na visão da Maíra Castro, entender com mais detalhes a tese da Supera VC e ouvir diretamente os aprendizados dessa conversa, o episódio completo da entrevista está disponível em vídeo. O link para assistir à entrevista na íntegra está logo abaixo.



