OUTUBRO DESAFIOU AS CERTEZAS: DA MACRO AO BITCOIN, QUEM ESTÁ LENDO OS SINAIS?

“A liquidez é o oxigênio dos mercados: só percebemos sua importância quando ela começa a faltar.”

Outubro reforçou a importância de compreender o mercado a partir das dinâmicas de liquidez, da macro global e da maturidade regulatória especialmente para quem transita entre crédito, inovação e ativos digitais. Compartilho abaixo os destaques que considero essenciais.

BLOCO GLOBAL

As principais economias seguiram presas ao discurso de Higher for Longer. Fed e BCE mantiveram a postura de cautela, sustentados por um mercado de trabalho ainda aquecido nos EUA e por pressões inflacionárias que cedem apenas gradualmente.

No campo energético, a inflação foi positiva para empresas integradas como a Petrobras, mesmo em um mês marcado por discursos de apaziguamento internacional. Entretanto, a realidade geopolítica, conflitos ainda ativos no Leste Europeu e no Oriente Médio mostrou que o distanciamento entre retórica e fatos continua relevante para a precificação de risco global.

Ao mesmo tempo, projeções de crescimento foram revisadas para baixo pelo FMI, e a desaceleração industrial global manteve-se como ponto de atenção.

BLOCO BRASIL

O IPCA de outubro trouxe pressões em serviços e alimentos, elevando o debate sobre o ritmo adequado de cortes da Selic. Mesmo com essa possibilidade no horizonte, o repasse para o crédito ao consumidor segue lento, refletindo riscos, inadimplência e a dinâmica particular do sistema financeiro brasileiro.

No campo regulatório, Banco Central e CVM avançam na agenda de ativos digitais e tokenização, com discussões que ampliam segurança e padronização, mas que também exigem avaliar cuidadosamente o impacto sobre o ambiente de inovação ponto que aprofundarei na Carta de Novembro.

A Bolsa teve um mês de volatilidade, influenciada por fatores externos e pela temporada de balanços do terceiro trimestre, que trouxe resultados díspares entre setores.

BLOCO CRIPTO

Victor Alfa e a dinâmica macro que importa

A apresentação do Victor Alfa,  realizada no Crypto Day, evento do qual participei, trouxe uma visão robusta e quantitativa sobre os motores que efetivamente explicam o comportamento do Bitcoin. Trago aqui uma breve síntese para esta Carta, justamente pela relevância técnica do conteúdo.

A partir da correlação com o Ouro (37,1%), da sensibilidade à liquidez global (40,7%) e das confluências entre M2, GLI e NFCI, sua tese reforça que:

– não existe mercado cripto isolado da macro global;
– liquidez é o fator determinante para ciclos de alta e correção;
– a janela preditiva de 13 semanas entre expansão monetária e movimento do BTC é um ponto crítico para investidores.

Um dos elementos mais interessantes foi o paralelo entre a participação do Bitcoin e a do Ouro como reserva global. Caso o BTC alcance uma fatia semelhante à do ouro, hoje próxima de 2% do mercado sua relevância poderia multiplicar por 10 vezes. Não é mais hipótese distante: é um possível deslocamento estrutural dentro da lógica de ativos escassos.

AMFI e a expansão da tokenização nacional para o mundo

A AMFI, empresa na qual sou co-investidor via Bossa, anunciou uma parceria com uma companhia de Singapura para ampliar sua atuação em infraestrutura de tokenização. Um movimento que posiciona o Brasil como exportador de tecnologia e como hub regional em ativos digitais estruturados.

BLOCO KADMOTEK

Participei novamente do Fórum Payment Anyway, evento que se consolida pela profundidade técnica e pela relevância dos debates. Entre os painéis que considero essenciais para compreender a evolução do setor:

– Tokens, cripto e o dinheiro programável: quando a tendência será uma realidade?
– Inovação em meios de pagamento e integração regulatória
– Novas arquiteturas para o varejo financeiro

A maturidade das discussões confirma a posição do Brasil na vanguarda de pagamentos digitais.

Estive também no Let’s Money Podcast com Gabriel Pereira, em uma conversa direta sobre oportunidades em cripto, Web3, inteligência artificial e as transformações culturais que moldam o empreendedorismo atual. Um diálogo franco sobre como tecnologia, inclusão e infraestrutura estão convergindo para o próximo ciclo de inovação.

Participei do Crypto Day em São Paulo, que trouxe conteúdo técnico de alto valor. Entre os destaques:

–  Alexandre Senra, com uma revisão profunda sobre fundamentos e atualizações estruturais da tecnologia blockchain.
– Painel Macro com CryptoSincero (José Santos ), Caio Vicentino, Juan Montoni e Diego Spanevello,  uma excelente discussão sobre ciclos de mercado, análise macroeconômica e maturidade do ecossistema.
– E, claro, a apresentação do Victor Alfa, já comentada anteriormente.

REFLEXÕES FINAIS

O mês reforçou uma tendência que atravessa todos os blocos desta Carta:
liquidez, infraestrutura e inovação caminham juntas e nenhum desses elementos pode ser analisado isoladamente.

Se os fundamentos discutidos ao longo do mês se consolidarem, a tese de valorização estrutural do Bitcoin ganha contornos cada vez mais sólidos.

E deixo uma pergunta que resume o sentimento que permeou outubro:

O Bitcoin alcança US$ 1 milhão até 2030?

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