INVESTIR EM EDUCAÇÃO NÃO É PARA AMADORES: OS INSIGHTS DE GUILHERME SKAF E A TESE DA ROSEY VENTURES

Quando investir em educação deixa de ser discurso e vira compromisso

2025 marcou um ponto de virada para mim como founder  da Kadmotek.

Depois de muitos anos repetindo como tantos brasileiros que “a educação é o que pode transformar o país”, decidi transformar essa convicção em ação concreta. Esse movimento se materializou no investimento na MAIA Educacional, uma plataforma dedicada a pessoas com deficiência intelectual e transtornos de aprendizagem, construída com rigor pedagógico, metodologias inclusivas e inteligência artificial aplicada ao apoio educacional.

Conhecer a MAIA de perto abriu uma nova perspectiva: investir em educação não é somente apoiar startups  é entrar em contato com realidades humanas complexas, com redes de ensino sobrecarregadas e com a urgência de soluções que respeitem a diversidade dos alunos. A MAIA  nasceu justamente dessa lacuna, desenvolvendo conteúdos acessíveis, linguagem simples, metodologias inclusivas e ferramentas tecnológicas capazes de apoiar educadores e famílias.

Foi nesse contexto que surgiu meu interesse em aprofundar uma conversa com  Guilherme Skaf Amorim, diretor  da Rosey Ventures, diretor, o Corporate Venture Capital do Grupo Marista um dos grupos educacionais mais tradicionais e relevantes do país.

A seguir, compartilho os principais insights desse bate-papo, guiados por perguntas que preparei, mas com respostas que revelam muito mais sobre o presente e o futuro da educação no Brasil.

Quem é Guilherme Skaf: do chão de fábrica ao CVC

A trajetória de Guilherme é surpreendente: designer gráfico, empreendedor do setor têxtil, profissional de higiene e cosméticos, gestor de internacionalização e, por fim, executivo de inovação em telecomunicações pela Wayra/Vivo Ventures.

Essa diversidade de experiências moldou sua visão prática e humana sobre empreender.

“Quando alguém me diz que vai ter que demitir seu analista, eu lembro que, com 22 anos, precisei demitir a minha piloteira na confecção. Ali você aprende o que é a vida real.”

Essa frase revela algo essencial: Guilherme fala com a autoridade de quem viveu a dureza do empreendedorismo antes de chegar ao VC.

A tese da Rosey Ventures: educação e saúde como motores de impacto

A Rosey Ventures nasce do Grupo Marista, que reúne escolas, universidades, editoras e hospitais. É um fundo corporativo com capacidade real de implementação e conexão com toda a cadeia educacional e de saúde.

Segundo Guilherme:

“Não somos agnósticos. Nossa tese é focada em educação e saúde, mas muito ampla dentro desses dois espectros.”

A Rosey se destaca por algo raro no mercado: capacidade de integração, distribuição e validação real de soluções educacionais.

O papel do Smart Money em educação

A educação é uma tese desafiadora porque exige tempo, profundidade, entendimento regulatório, relação com escolas e professores, capacidade de integração e resiliência.

“Quando a startup chega num fundo estratégico de educação, ela acha que ali é o seu M&A. Mas o CVC também precisa ter sua própria saída.”

A Rosey oferece algo além do capital: acesso a escolas, docentes, hospitais, universidades e a toda uma infraestrutura operacional, um tipo de Smart Money impossível para fundos tradicionais.

Portfólio e aprendizados: sinergia primeiro, investimento depois

Perguntei ao Guilherme sobre o critério mais importante para uma startup entrar no radar da Rosey.

A resposta foi direta:

“A pergunta inicial é: existe sinergia comercial? Se sim, seguimos.”

É uma visão madura: inovação só faz sentido quando aplicada, impacto só se prova quando escalado e crescimento só acontece quando existe demanda real.

Perspectivas para 2026

Guilherme foi muito claro ao falar sobre o cenário macro e as tendências para 2026:

“O dinheiro existe. O que não existe é disposição para correr riscos desnecessários.”

O investimento, antes um movimento de metralhadora, agora exige mira de sniper.

– análise profunda dos economics  

– avaliação séria do time  

– sustentabilidade do modelo  

– clareza no caminho comercial  

É um ano que exigirá founders muito mais preparados.

IA e o novo filtro do mercado

“A IA pode ser uma matadora de founders.”

Guilherme alerta para o risco de modelos inteiros serem substituídos por features gratuitas de big techs. Mas aqui faço uma ponte fundamental com a experiência da MAIA :

A MAIA  usa IA como apoio pedagógico, nunca como substituto do processo educacional. A tecnologia reforça a equipe pedagógica, preserva a cultura de linguagem simples e contribui para formar jovens com capacidade de reflexão algo insubstituível por algoritmos.

Esse equilíbrio será decisivo no futuro das edtechs.

Conclusão

 Por que a educação deve estar no centro das teses de inovação

Transformar a educação brasileira exige visão, coordenação, investimento e coragem para enfrentar um sistema gigantesco, diverso e desigual.

A profundidade dessa responsabilidade aparece na escala do setor:

• 44 milhões de alunos no ensino básico  

• 178 mil escolas  

• 6 milhões de estudantes com deficiência intelectual, TEA ou transtornos de aprendizagem  

Esses números representam vidas, trajetórias e oportunidades que dependem da nossa capacidade de inovar.

Lideranças como Guilherme Skaf Amorim e iniciativas como a Rosey Ventures mostram que é possível unir impacto e escala, rigor e propósito, inovação e responsabilidade. Minha experiência com a MAIA  reforça que educação deve estar no centro das teses de inovação. É mais que um setor é um compromisso com o futuro do país.

Segue o link para o vídeo da entrevista completa

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