Quando eu encontrei Amure Pinho pela primeira vez, ainda no Startup Summit, a impressão inicial foi imediata: alguém que carrega a energia de quem constrói, conecta e multiplica. No ecossistema de inovação brasileiro, poucos nomes se tornaram tão sinônimo de comunidade, disciplina e visão estratégica quanto o fundador do Investidores.vc, um dos maiores ecossistemas de investimento anjo do país.
Mas, para entender onde estamos e para onde vamos, especialmente com as perspectivas para 2026, é impossível não olhar para a trajetória de quem viveu cada curva desse mercado.
A jornada de quem “desbravou o mato alto”
A história do Amure com startups não começa no palco, mas no chão da fábrica ainda lá atrás, em Macaé, onde aos 15 anos ele abriu sua primeira empresa. Depois vieram a faculdade de Publicidade, o fascínio por tecnologia e, em 2009, uma empresa de aplicativos mobile quando nem iPhone existia no Brasil.
Foi quase um acidente de percurso que o levou ao mundo dos investimentos: ao patrocinar um Startup Weekend para captar programadores, saiu como investidor-anjo. Como ele mesmo relembra, rindo do próprio caos: os fundadores acharam que ele estava ali para investir, não contratar.
O início foi duro, os 10 primeiros investimentos deram errado. Mas o 11º não só pagou a conta como redefiniu sua tese: produto importa, mas founders que sabem vender importam ainda mais.
Essa combinação de aprendizado real, suor e erros caros pavimentou o caminho para o nascimento, em 2019, do Investidores.VC.
O nascimento de um ecossistema
Ao contrário do que muitos imaginam, o Investidores.VC não surgiu como um “curso sobre investimento”, mas como um movimento de organização do caos aquele mato alto do investimento anjo brasileiro.
Amure percebeu que:
– o investidor não sabia por onde começar;
– o founder não sabia como reportar;
– os contratos eram frágeis;
– faltava diligência;
– faltava comunidade;
– e, principalmente, faltava confiança.
A solução? Construir uma plataforma que combinasse educação, governança, processos e relacionamento.
Hoje, o ecossistema abriga:
– mais de 800 investidores ativos;
– mais de 1.500 membros entre advisors e founders;
– 50+ startups investidas;
– 9 exits;
– uma cultura forte de peer pressure consciente e reportes mensais;
– playbooks, imersões, missões, dealflow próprio e acompanhamento estruturado.
E, acima de tudo, um mantra: investir é aprender.
A força invisível da comunidade
Na entrevista, uma frase do Amure sintetizou bem o que o Investidores.VC se tornou:
“Quando você força o report mensal, a startup passa a ter consciência dos próprios problemas.”
Esse compromisso disciplinado com reportes mensais, métricas simples, grupos ativos de investidores e uma reunião obrigatória com a equipe transforma o acompanhamento em uma ferramenta de evolução, não em uma cobrança vazia.
É um modelo que equilibra governança e empatia.
E, como ele mesmo reforça: report bom é o que mostra problema. Report perfeito demais só esconde a realidade.
O resultado é um ecossistema onde:
– investidores aprendem com transparência;
– founders amadurecem mais rápido;
– decisões são baseadas em dados;
– e negócios ganham tração com consciência.
O mercado amadureceu e rápido
Enquanto conversávamos, Amure destacou algo que poucos colocam com tanta clareza: o mercado brasileiro de startups mudou de patamar desde 2021.
O founder hoje chega:
– com data room pronto;
– KPIs consistentes;
– governança mínima;
– e consciência de que queimar caixa nunca mais será regra.
A fase do “PowerPoint milionário” ficou para trás.
O momento agora exige execução, disciplina e modelo de negócio real.
Perspectivas para 2026: a frase que resume o espírito do tempo
Quando chegamos ao ponto central da entrevista, pedi ao Amure para cravar sua visão sobre 2026.
A resposta foi tão sincera quanto precisa e merece ser registrada integralmente:
“Acho que 2026 e 2027 serão bons anos. Não volta o 2021, mas volta o mercado de negócios: mais M&As, mais deals, mais seriedade. A AI está empurrando as fronteiras da tecnologia e vai puxar todo mundo quem entender, cresce; quem não entender, vai ficar para trás.”
Segundo ele, três elementos sustentam essa visão:
1) M&A voltou a respirar
2025 já foi significativamente melhor que 2023 e 2024.
E melhora semestre a semestre.
2) O juro brasileiro tende a normalizar
Não no sonho dos “um dígito”, mas no terreno possível: algo na faixa de 11%–12%.
Com isso, o capital começa a migrar de volta para risco.
3) A Inteligência Artificial abriu outra fronteira
AI não é uma moda.
É a infraestrutura dos próximos ciclos de inovação B2B, enterprise e de produtividade.
No Brasil 230 milhões de pessoas e pouca educação tecnológica o espaço para crescer é quase infinito.
Um 2026 mais seletivo, mais profissional… e muito mais promissor
Não é otimismo vazio.
É leitura técnica.
2026 não terá janelas exuberantes de IPO.
Não terá valuations insanos.
Não terá dinheiro solto.
Mas terá negócios reais, founders melhores, mais M&A, mais disciplina e um mercado puxado por AI, eficiência e monetização desde o dia zero.
Para o investidor, o recado é claro: diversificar virou necessidade e sair da renda fixa deixou de ser opção emocional e voltou a ser racional.
A síntese para 2026
Se tivesse que resumir a conversa em uma frase, seria:
2026 será o ano em que a maturidade vira vantagem competitiva para founders e para investidores.
E o Investidores.VC é uma prova viva de que comunidade, processo e disciplina podem transformar não só uma jornada pessoal, mas um mercado inteiro.
Encerrando
Amure é, antes de tudo, um construtor de negócios, de pessoas e de ecossistema.
E essa entrevista mostrou uma coisa simples, mas poderosa: o futuro do venture capital brasileiro não está apenas no capital. Está na comunidade que o sustenta.
É esse capital social e não só financeiro que moldará a próxima década.
E 2026 é só o começo.
📺 Para assistir à entrevista completa no YouTube, com todos os detalhes, bastidores e histórias que não entraram neste artigo, basta acessar o link



