O FUTURO DO VC – ECONOMIA REAL, IPOS E RESILIÊNCIA: INSIGHTS DE ROBERT DANNENBERG

Em mais um episódio da série Perspectivas para 2026, recebo um dos nomes mais experientes, humanos e consistentes do ecossistema de inovação brasileiro: Robert Dannenberg, partner e conselheiro da OBB Capital.

Um investidor que combina décadas de vivência empresarial — da criação da histórica Expo Money ao apoio direto a founders — com uma visão madura sobre ciclos, pessoas, economia real e o papel que cada um cumpre na cadeia do Venture Capital.

A conversa foi profunda, técnica em alguns momentos, mas sobretudo humana. A seguir, compartilho os principais insights dessa entrevista.

Quem é Robert Dannenberg

Robert Dannenberg nasceu nos Estados Unidos, mas se declara — com orgulho — “brasileiro de coração”. Empreendedor apaixonado, já fundou negócios em diferentes setores e fez história ao criar a Expo Money, evento que educou milhares de brasileiros sobre investimentos muito antes da popularização da bolsa.

Maratonista, apaixonado por vinhos e defensor incansável da educação financeira, Robert carrega uma característica rara no mercado: a capacidade de conectar experiência prática com empatia, humanidade e leitura de cenário.

Um trecho da entrevista resume bem essa essência:

“As pessoas estão muito superficiais. Empreender exige profundidade. Você precisa se aprofundar, estudar, entender, errar, ajustar e seguir. A resiliência é a palavra da hora.”

A OBB Capital atua no Pre-Seed e no Seed, com uma tese agnóstica a setores, mas com foco claro em um elemento-chave: a economia real.

Robert destaca que, embora a tecnologia continue sendo um vetor essencial, existe hoje um campo vasto e pouco explorado na interseção entre inovação e negócios tradicionais — os chamados boring businesses. Empresas resilientes, lucrativas, com décadas de operação, mas carentes de sucessão, tecnologia e profissionalização.

 

Para a OBB, o melhor investimento está onde existe problema real, receita real e execução disciplinada.

 

Outro ponto forte é o peso dado ao fundador. Não apenas à narrativa, mas à capacidade real de execução, resiliência e adaptação — atributos que, segundo Robert, são muito mais difíceis de detectar do que parece no pitch deck.

Smart Money: presença, método e profundidade

Robert foi direto: smart money de verdade é raro.

Na prática, a OBB atua ofertando:

– governança,  

– análise de processos,  

– disciplina operacional,  

– preparação para futuras rodadas e M&A,  

– leitura de risco e de ciclo.

 

Tudo isso apoiado por uma proximidade que só quem já empreendeu — e sentiu o peso real de decisões difíceis — consegue oferecer.

Para ele, apoiar founders é, acima de tudo, um processo humano: entender vulnerabilidades, enxergar potenciais e preparar a empresa para jornadas longas.

Educação Financeira e o Retorno da Expo Money

Um dos pontos mais ricos da conversa foi a análise sobre a evolução do investidor brasileiro.

Quando Robert lançou a Expo Money, o país tinha aproximadamente 500 mil investidores de bolsa. Hoje são 6 milhões.

Mas o dado que mais o impacta é outro: 23 milhões de brasileiros têm criptoativos — um indicador de transformação cultural.

 

Esse cenário reacendeu uma chama antiga: Robert está relançando a Expo Money com o propósito de formar uma nova geração de investidores — mais conscientes, mais exigentes e mais preparados.

Segundo ele, educação financeira não é um “tema bonito”, é infraestrutura econômica para o futuro.

Tokenização, FIDCs, Mercados de Acesso e a Nova Infraestrutura do Capital

Aqui, nossas teses convergiram fortemente.

Falamos sobre:

– tokenização de ativos,  

– mercados de acesso,  

– B3 abrindo portas para tokenizadoras como a Zuvia,  

– evolução dos FIDCs para TIDCs,  

– democratização da participação acionária,  

– o papel do crowdfunding como funil de entrada de novas empresas no mercado de capitais.

Robert enxerga esse movimento com clareza: a tokenização não é “tendência”, é infraestrutura de acesso para que pequenos e médios negócios captem recursos de forma moderna, transparente e escalável.

2023–2025: O inverno do Venture Capital

O setor viveu um ciclo duro.

A quebra do Silicon Valley Bank, o colapso dos valuations inflados e a ausência de IPOs quebraram a principal fonte de liquidez da cadeia — e, consequentemente, a capacidade de reciclar capital.

Robert explica bem:

– Sem IPOs, não há saídas.  

– Sem saídas, os fundos não retornam capital.  

– Sem retorno, não captam novas rodadas.  

– E sem novas rodadas, founders sentem o aperto.

O resultado: pitches mais maduros, founders mais realistas e um mercado mais disciplinado.

2026: Um ano desafiador - e com oportunidade real de virada

Existe um otimismo crescente em relação à possibilidade de abertura de uma nova janela de IPOs, o que voltaria a irrigar a cadeia inteira do Venture Capital.

Para Robert, esse movimento pode destravar:

– saídas há muito represadas,  

– retomada de captação,  

– renovação da liquidez do ecossistema,  

– e um novo ciclo para founders que estiverem preparados.

O recado para quem está construindo é claro: 2026 é um ano para estar pronto

IA, Computação Quântica e os Próximos Saltos

Robert vê a Inteligência Artificial muito além do hype.

Segundo ele, estamos entrando na fase em que:

– IA deixará de ser discurso e se tornará processo,  

– aplicações de impacto real vão surgir,  

– descobertas médicas serão aceleradas em décadas,  

– empresas tradicionais ganharão produtividade nunca vista,  

– computação quântica mudará completamente a “liga” do jogo.

Não é sobre modinha. É sobre salto civilizacional.

A Mensagem Final de Robert

Encerramos com uma reflexão que precisa ser repetida:

 

“As pessoas estão muito superficiais. Empreender exige profundidade. Você precisa se aprofundar, estudar, entender, errar, ajustar e seguir. A resiliência é a palavra da hora.”

E complementou com algo essencial: empreender não é obrigação — é vocação. Excelência, profundidade e consciência valem mais do que a romantização do empreendedorismo.

Assista à entrevista completa

O episódio está disponível no canal da Kadmotek Nano VC Global no YouTube.

Acesse a entrevista completa aqui:

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