CROWDFUNDING NO BRASIL: UM BATE-PAPO COM ESPECIALISTAS DO SETOR

O crowdfunding vem se consolidando como uma alternativa atraente de captação de recursos para startups no Brasil. Nos últimos meses, tive a oportunidade de conversar com três importantes players desse ecossistema: Leonardo Zamboni, da Captable, Camila Nasser da Kria e os sócios Carlos Rubinstein e Leonardo Silva da Wiztartup – investimentos em startups e PMEs. Abaixo, compartilho os principais pontos dessas discussões, focando nas oportunidades, desafios e o futuro do crowdfunding no país.

 

O Que é Crowdfunding e Como Ele Funciona?

 

Começamos nossa conversa entendendo o conceito de crowdfunding e como ele se diferencia dos métodos tradicionais de financiamento. Leonardo Zamboni, da Captable explicou que o crowdfunding permite às startups captar recursos diretamente de uma comunidade de investidores individuais. Ele destacou que essa modalidade de captação pode tanto complementar quanto acelerar outras formas de financiamento. Com a Captable, as startups têm acesso a uma rede de 50 a 60 mil investidores, aumentando a visibilidade e as chances de sucesso na captação.

 

Camila Nasser da Kria trouxe uma perspectiva interessante sobre o papel do investidor no crowdfunding. Segundo ela, diferente de um fundo tradicional, onde o investidor é mais passivo, o crowdfunding permite que o investidor seja ativo e acompanhe de perto a jornada da startup. Esse nível de engajamento é algo que tem atraído cada vez mais pessoas para o modelo.

 

Os sócios Carlos Rubinstein e Leonardo Silva da Wiztartup – investimentos em startups e PMEs, reforçaram que o crowdfunding é uma ferramenta que democratiza o acesso ao capital e permite que startups de diversos segmentos, especialmente as de nichos mais específicos consigam atrair investidores que se identificam com o propósito do negócio.

 

Critérios de Elegibilidade para Startups

 

As três plataformas têm critérios claros para startups que desejam levantar capital por meio do crowdfunding. Na Captable, Leonardo Zamboni explicou que as startups precisam ter faturamento, estarem prontas para captar leads e contarem com fundadores 100% dedicados ao negócio. O limite de captação na Captable é de até R$ 15 milhões, e as empresas podem participar de rodadas mesmo pertencendo a grupos maiores, desde que o limite de faturamento seja de R$ 40 milhões.

 

Camila Nasser da Kria destacou que um dos critérios fundamentais é o alinhamento de propósito entre os fundadores e a startup. Além disso, a Kria não trabalha com ideias ou startups em estágio de MVP, focando em empresas já mais maduras, com faturamento de até R$ 40 milhões e limite de captação também de R$ 15 milhões.

 

A Wiztartup – investimentos em startups e PMEs, representada por Carlos Rubinstein e Leonardo Silva, mencionou que seu foco está em startups early-stage, mas que têm uma proposta sólida e validação de mercado inicial. A Wiztartup – investimentos em startups e PMEs também destacou que o alinhamento de visão entre fundadores e investidores é fundamental para o sucesso da captação.

 

Transparência e Segurança no Processo de Investimento

 

Uma das principais preocupações dos investidores ao participar de campanhas de crowdfunding é a transparência e a segurança do processo. Tanto a Captable quanto a Kria reforçaram a importância da regulamentação da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) para garantir que as operações ocorram dentro das regras estabelecidas. Na Captable, os contratos de investimento são unificados e mais de 20 mil contratos já foram assinados. A plataforma também conta com uma governança robusta que permite que investidores acompanhem os indicadores das startups em que investiram.

 

Na Kria, Camila Nasser destacou a importância do processo de due diligence, onde o negócio é analisado em detalhe por uma auditoria externa, garantindo a segurança dos investidores. A Wiztartup – investimentos em startups e PMEs também segue diretrizes rígidas de compliance, sempre buscando mitigar riscos para os investidores e garantir a integridade do processo.

 

Acompanhamento das Startups Financiadas

 

Após a captação, como as plataformas acompanham o desempenho das startups?

 

Na Captable, Leonardo Zamboni mencionou que, frequentemente, um investidor-âncora ou parceiro atua como mentor, ajudando a startup a manter os indicadores atualizados e cumprir as expectativas dos investidores.

 

Na Kria, Camila Nasser enfatizou o papel do deal partner, uma pessoa experiente que atua como uma ponte entre os investidores e a startup, garantindo que a comunicação e a prestação de contas sejam contínuas. A Wiztartup – investimentos em startups e PMEs também reforçou a importância do papel ativo de investidores e mentores no processo pós-captação, garantindo que as startups estejam no caminho certo para atingir seus objetivos.

 

Setores em Destaque e o Futuro do Crowdfunding no Brasil

 

Em termos de setores, os especialistas concordaram que Fintechs, IA e Agro estão entre os mais promissores no cenário atual de crowdfunding no Brasil. Leonardo Zamboni Captable apontou que Fintechs e marcas digitais (DNVBs) têm se destacado, enquanto Camila Nasser Kria destacou o potencial de startups de impacto social.

 

A Wiztartup – investimentos em startups e PMEs mencionou que vê grande oportunidade no crescimento de startups de nicho, que muitas vezes encontram no crowdfunding uma alternativa de captação que não está disponível em outros modelos tradicionais de investimento.

 

Diversidade no Ecossistema de Startups

 

Por fim, falamos sobre a importância da diversidade no ecossistema de startups e no perfil dos investidores. Camila Nasser da Kria enfatizou que para promover maior diversidade, é fundamental oferecer acesso ao capital a grupos sub-representados, como empreendedoras mulheres e minorias. Ela citou como exemplo inspirador a ginasta olímpica Rebeca Andrade, mostrando que a presença de figuras de destaque pode encorajar outras mulheres a entrar no universo empreendedor.

 

Considerações Finais

 

O crowdfunding está em pleno crescimento no Brasil, mas ainda há desafios a serem superados, como a necessidade de maior diversidade entre os fundadores e investidores. As plataformas como Captable, Kria e Wiztartup – investimentos em startups e PMEs estão desempenhando um papel importante ao democratizar o acesso ao capital e ao oferecer um caminho alternativo para startups em crescimento.

 

Há desafios regulatórios para aumentar o limite de captação de R$ 15 milhões e para empresas com faturamento de até R$ 40 milhões, além da criação de um mercado secundário. Um ponto técnico relevante é a tokenização desses ativos, que pode modernizar os processos, proporcionando maior rastreabilidade e segurança, já que esse modelo tem um histórico de inviolabilidade e resistência a fraudes.

 

Convido você a assistir nossos webinar completos no canal da Kadmotek e a compartilhar seus insights conosco. E não se esqueça de curtir, comentar e compartilhar nosso conteúdo!

Até a próxima!

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