SOUTH SUMMIT BRASIL 2022: INOVAÇÃO SEM FRONTEIRAS, UMA PONTE ENTRE EUROPA E BRASIL

A capital Gaúcha foi palco do maior encontro mundial de inovação e tecnologia entre startups,  investidores e especialistas, e já pode ser considerado o maior evento do país na área de inovação e tecnologia. O South Summit Brasil 2022 aconteceu nos dias 4, 5 e 6 de maio, no Cais Mauá, as margens do Lago Guaíba e movimentou Porto Alegre. Este foi um importante marco para a capital gaúcha, que está trilhando um caminho para se tornar um polo de referência no país e no mundo, no que tange a hubs de inovação.

 

O South Summit nasceu na Espanha em 2012, com a missão de construir e moldar um amanhã sustentável sendo referência através de iniciativas, empreendedorismo, inovação aberta e oportunidades. Seus números traduzem a notória trajetória de sucesso ao longo dos anos, pois já são mais de 25 mil Startups participantes, 8.2B € investidos nas startups finalistas da competição e 23 eventos internacionais e setoriais.

 

O Rio Grande do Sul, que é líder na transição para a economia digital na América do Sul e que conta hoje com mais de 1000 startups e 15 parques tecnológicos, como por exemplo o Instituto Caldeira, um instituto sem fins lucrativos fundado por 42 grandes empresas gaúchas, com o objetivo de melhorar a competitividade e o ecossistema da economia, e também o TECNOPUC, Parque Científico e  Tecnológico da PUCRS, que já conta com um ecossistema com mais de 199 organizações e mais de 300 startups apoiadas,  foi o estado escolhido para sediar o South Summit Brasil 2022 e com isso estabelecer uma ponte entre Europa e Brasil. Essa foi uma oportunidade ímpar para empreendedores expandirem e acelerarem seus negócios, estabelecerem conexões com importantes players, conhecerem possíveis investidores, ampliarem visibilidade e networking internacional, além de conhecerem, em primeira mão, algumas iniciativas de grandes empresas voltadas para a inovação, como por exemplo o programa Dell for Startups, lançado durante o festival. Tudo isso em um único evento de 3 dias, que contou com 5 palcos simultâneos e mais de 400 palestrantes.

 

Foram cerca de 1000 startups inscritas, sendo 45% Brasileiras e 55% de países como  Argentina, Colômbia, Espanha, Estados Unidos, Índia, Nigéria, Reino Unido e Turquia.  Desse total, 50 delas foram classificadas como finalistas para a competição de startups e tiveram a oportunidade de dar maior visibilidade aos seus projetos apresentando seus pitchs durante o evento, além de terem acesso aos fundos de investimentos participantes. As finalistas estavam divididas nas categorias: digital solutions, climateTech, future of work, industry 5.0 e fintech & e-commerce e os critérios de escolha da competição foram inovação, escalabilidade, time, viabilidade do modelo de negócios e investibilidade.

 

Dentre as 5 vencedoras da competição de startups, três delas são gaúchas, a Yours Bank que levou o prêmio de grande vencedora da competição, a Pix Force levou o troféu na categoria mais inovadora, e a Aprix na categoria Melhor time – e, diga-se de passagem, foi emocionante vê-las subindo ao palco e recebendo o reconhecimento que merecem, afinal, quem trabalha com startups entende como os momentos de vitória são importantes na trajetória. Além das startups gaúchas, ganharam também a brasileira Solubio na categoria mais sustentável e a espanhola Genially na categoria mais escalável.

 

Estimasse-se que nos três dias de evento, o Cais Mauá, recebeu um público aproximado de 20 mil visitantes, que tiveram a oportunidade de conhecer, conferir e apreciar workshops, marketplace para produtos e serviços, reuniões com empreendedores e investidores, oportunidades também  para apresentar ideias, conversar sobre o ecossistema,  trocar experiências,  estabelecer conexões e ampliar networking,  além de conferir uma variedade enorme de conteúdo distribuído em inúmeras palestras voltadas para a área de inovação abordando tópicos como agritech & healthtech, industry 5.0, fintech, retailtech & foodtech, sustainability & ESG, society e innovation & ecosystem.

 

Sem dúvida, a chegada do South Summit no Brasil representa um marco, pois além de colocar o Brasil no mapa mundial de inovação, também promove transformações econômicas e sociais com suas exposições de qualidade e conteúdo relevantes. E trazendo uma perspectiva mais pessoal pra este artigo, vinda de uma das 20 mil visitantes do evento, gaúcha e profissional da área de inovação, reconheço o quão importante foi para Porto Alegre sediar este evento. Contudo, gostaria de aproveitar o espaço e trazer uma visão mais realista e não tão “bela” sobre o evento, usando uma metáfora de quem trabalha com startups, o evento foi um ótimo MVP (Minimum Viable Product), que gerou uma série de lições para a edição de 2023. Dentre eles, saliento alguns, que na minha opinião devem ser priorizados:

 

I – O evento original é considerado de grandeza internacional e, apesar da intenção ter sido essa para o South Summit Brasil, quem esteve presente no Cais durante os três dias deve concordar que o evento foi bastante “bairrista” (expressão que usamos aqui no Sul para caracterizar algo que é local). O Brasil tem atores incríveis no ecossistema de inovação, acredito que a edição de 2023 poderá explorar mais o conhecimento que essas personalidades podem oferecer. Bem como, atrair visitantes de outros estados e países LATAM, por exemplo.

 

II – Previsão climática! Os porto-alegrenses vão me entender, não somos uma cidade preparada para lidar com dias de chuva, e infelizmente o evento foi inaugurado em um dia bastante chuvoso, o que causou algumas situações desagradáveis, que não valem ser citadas agora, mas podem ser prevenidas em uma próxima edição com maior planejamento.

 

III – Imagine 5 palcos simultâneos, mais de 400 palestrantes, 20 mil visitantes e muito, muito barulho. O espaço físico destinado para o evento com certeza não previu a quantidade de convidados, assim como a acústica do local também não. Se você não estivesse nas primeiras fileiras das plateias, podia esquecer a possibilidade de acompanhar a fala dos palestrantes, pois qualquer conversa a sua volta se sobressaia. Apesar da estrutura ter espaços dedicados para networking, esse foi um problema bastante comentado. Certamente, um distanciamento adequado e planejado resolveria isso. Fica a dica!

 

Vale lembrar que o MVP não serve só para enxergarmos as falhas e melhorá-las, mas entender também o que funcionou para que seja repetido, e de fato o South Summit Brasil teve vários acertos. A comunicação do evento foi extremamente disseminada no Sul e pôde ser facilmente replicada para o resto do país. Apesar da acústica, a estrutura física do evento estava fantástica. Das palestras que acompanhei, vários cases de sucesso foram apresentados por empresas de diferentes segmentos, o que é extremamente rico para as startups que acompanharam o evento. O principal benefício da inovação aberta foi atingido e sem dúvidas, o evento conseguiu conectar mercado privado, governo e academia com sucesso, e esse cenário é extremamente importante para o posicionamento que Porto Alegre busca ter como cidade das startups.

 

Por fim, e como boa bairrista que também sou, é preciso elogiar a programação pós evento no Cais Mauá. O clima estava bastante agradável e permitiu que o networking não se limitasse apenas ao horário do evento. Além disso, fugir dos espaços de eventos comumente utilizados foi um grande avanço e que fez conexão com a proposta que o South Summit tem. Enfim, parabenizo todos os envolvidos na organização do evento e se você perdeu a primeira edição brasileira ou ficou curioso, recomendo fortemente que se programe para a edição de 2023 – que já está prevista para semana do aniversário de Porto Alegre. Eu com certeza estarei presente e certa de que a segunda edição será ainda melhor.

 

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