A LEI DE PARKINSON E SUAS IMPLICAÇÕES

A vida moderna está intrinsecamente ligada às diversas instituições que moldam nosso cotidiano, como governos, empresas, escolas, associações de classe, organizações sociais, entre outros. A vida moderna é vivida no âmbito dessas instituições, que por sua vez possuem regras e princípios que regem o seu funcionamento.

 
Um desses princípios é a Lei de Parkinson. A Lei de Parkinson foi formulada em 1955 pelo historiador e autor britânico Cyril Northcote Parkinson e afirma que “o trabalho se expande para preencher o tempo disponível para sua conclusão e que as burocracias tendem a se expandir independentemente da necessidade real”.
 

Parkinson baseou sua lei na observação empírica de que o número de funcionários no serviço público britânico aumentava independentemente do volume de trabalho real. Ele observou que, mesmo quando a quantidade de trabalho permanecia constante ou diminuía, o número de funcionários continuava a crescer.

 
Parkinson publicou sua lei pela primeira vez em um artigo na revista The Economist em novembro de 1955. Esse conceito foi posteriormente refinado e culminou com o livro Parkinson’s Law: The Pursuit of Progress [A lei de Parkinson: a busca do progresso].

 
Segundo Parkinson, esse mecanismo de expansão é derivado de (i) uma complexidade crescente, pois à medida que as organizações crescem, a comunicação e a coordenação tornam-se mais complexas, levando a mais reuniões, relatórios e processos burocráticos que aumentam a carga de trabalho percebida sem necessariamente aumento da atividade fim, e (ii) uma multiplicação de subordinados, pois os gerentes possuem uma tendência natural de criar mais posições subordinadas para aumentar sua importância e aliviar sua carga de trabalho, mesmo que isso não resulte em mais trabalho sendo feito.

 
Parkinson chegou a mensurar que o total de empregados dentro de uma burocracia aumenta cerca de 5% a 7% ao ano independentemente da quantidade de trabalho a ser feito, pois funcionários criam trabalho um para o outro.

 
A Lei de Parkinson é uma espécie de Lei Natural das instituições, tanto públicas como privadas, assim como é a Lei da Gravidade no mundo físico. Na realidade Parkinson não inventou essa Lei, ele apenas a observou.

 
Em organizações sem a “cultura de dono”, como Governos e empresas com controle pulverizado, esse fenômeno da Lei de Parkinson é ainda mais acentuado. As tentativas de controlar e aumentar a eficiência frequentemente falham devido à natureza inerente das burocracias de se expandirem e se tornarem mais complexas ao longo do tempo. Um exemplo recente desse fenômeno foi a aquisição Twitter pelo empresário Elon Musk. Antes da aquisição, o Twitter era uma empresa de capital aberto, com controle pulverizado e que empregava cerca de 7.500 funcionários. Após a aquisição da empresa por Elon Musk, a quantidade de funcionários foi reduzida para cerca de 1.300, um corte de 80% de pessoal. Nenhum usuário percebeu alteração na qualidade do serviço da plataforma, ao contrário muitas novas funcionalidades foram implementadas.

 
Que esse artigo seja um alerta às lideranças empresariais privadas e aos gestores e formuladores de políticas públicas, pois instituições sustentáveis evitam a expansão desnecessária do trabalho e mantêm um foco claro em seus objetivos finais. Caso contrário, tendem a perecer e virar estatística.

 

Artigo publicado na Coluna  Edição Brasília confira aqui.

 

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