VAREJO BRASILEIRO


No último artigo comentei sobre os efeitos da pandemia para o varejo brasileiro. Apesar da gradual redução das restrições de movimentação e pequena retomada das operações, a maioria dos pequenos empresários busca garantir sua sobrevivência. Penso que mesmo depois de resolver as questões de circulação das pessoas, com a evolução da vacinação, ainda teremos um bom período de baixa nas vendas do varejo devido à lenta retomada da atividade econômica e renda disponível para o consumo.

Mas, para um seleto grupo de varejistas, esse momento de ajuste do mercado tem propiciado uma oportunidade de crescimento e consolidação única. devido ao excesso de capital disponível e a necessidade de fortalecer sua posição em um mercado mais concentrado e mais competitivo. A seguir apresento algumas das transações ocorridas nos últimos meses:

VAREJISTA STARTUP
Magazine Luiza AiQFome
Via Varejo Distrito
Magazine Luiza Fintech HUB
Centauro NWB
B2W SHIPP
Mercado Livre Ecommet

Os grandes players do varejo têm efetuado aquisições de startups com competências específicas para resolver questões operacionais e estratégicas relevantes, como: integrar serviços de entrega em segmentos não atendidos anteriormente (caso das aquisições feitas pela Magalu e B2W para fazer frente ao Rappi e iFood), ter maior controle das transações financeiras efetuadas em sua plataforma (caso da aquisição da Fintech HUB feita pela Magalu), produzir conteúdo especializado para melhorar o relacionamento com seus clientes (caso da aquisição da NWB pela Centauro), ou garantir acesso às inovações descobertas por uma rede de startups (caso da aquisição de participação na Distrito feita pela Via Varejo).

No cenário atual, com volatilidade das condições econômicas dos mercados, com a necessidade de obtenção de resultados mais imediatos e com o objetivo de redução de riscos de perda de investimentos não produtivos, os grandes players têm preferência pela aquisição de startups com competências já desenvolvidas.

Porém, esse processo de concentração do varejo deve ser visto com ressalva, pois pode ocasionar desequilíbrios para outros setores e inclusive, para os consumidores.

Para equilibrar esse jogo e possibilitar acesso às novas tecnologias e aos pequenos e médios varejistas, vejo como fundamental a atuação de empresas de venture capital, segmento que a KADMOTEK atua, para o financiamento de startups de pequeno porte e para a formação de um ecossistema de inovação mais democrático para os varejistas de pequeno porte.  Atuo há mais de 20 anos na administração de shoppings e, hoje, as lojas satélites têm um sério problema de gestão, com sistemas de gestão de estoques e administração de vendas ineficientes, além da incapacidade técnica e financeira para inserção no comércio eletrônico em condições favoráveis. Por um lado, os pequenos lojistas não têm capacidade financeira para investir, principalmente, pela falta de linhas de créditos dos bancos públicos e privados com condições adequadas; por outro lado, os custos oferecidos pelas empresas de software e agências de marketing são muito elevados.

Não vejo muitas possibilidades de redução de custos dos empréstimos para os pequenos empresários, mas sou otimista na atuação das empresas de venture capital para incrementar a oferta de soluções com novas startups tornando as inovações acessíveis para todos.

Compartilhar:

WhatsApp
LinkedIn
Twitter
Facebook
  • One thought on “VAREJO BRASILEIRO

Deixe um comentário

Mais artigos

INVESTIDORES.VC E O NOVO CICLO DAS STARTUPS: INSIGHTS DE AMURE PINHO

Quando eu encontrei Amure Pinho pela primeira vez, ainda no Startup Summit, a impressão inicial foi imediata: alguém que carrega a energia de quem constrói, conecta e multiplica. No ecossistema de inovação brasileiro, poucos nomes se tornaram tão sinônimo de comunidade, disciplina e visão estratégica quanto o fundador do Investidores.vc, um dos maiores ecossistemas de investimento anjo do país.

O FUTURO DO VC – ECONOMIA REAL, IPOS E RESILIÊNCIA: INSIGHTS DE ROBERT DANNENBERG

Em mais um episódio da série Perspectivas para 2026, recebo um dos nomes mais experientes, humanos e consistentes do ecossistema de inovação brasileiro: Robert Dannenberg, partner e conselheiro da OBB Capital.
Um investidor que combina décadas de vivência empresarial — da criação da histórica Expo Money ao apoio direto a founders — com uma visão madura sobre ciclos, pessoas, economia real e o papel que cada um cumpre na cadeia do Venture Capital.

INVESTIR EM EDUCAÇÃO NÃO É PARA AMADORES: OS INSIGHTS DE GUILHERME SKAF E A TESE DA ROSEY VENTURES

Depois de muitos anos repetindo como tantos brasileiros que “a educação é o que pode transformar o país”, decidi transformar essa convicção em ação concreta. Esse movimento se materializou no investimento na MAIA Educacional, uma plataforma dedicada a pessoas com deficiência intelectual e transtornos de aprendizagem, construída com rigor pedagógico, metodologias inclusivas e inteligência artificial aplicada ao apoio educacional.

DO CÓDIGO À NORMA: O MERCADO CRIPTO BRASILEIRO ENTROU DE VEZ NO RADAR DO BANCO CENTRAL

Novembro foi o mês em que o mercado cripto brasileiro ganhou contornos oficiais. As novas regulamentações do Banco Central marcaram o início de um novo ciclo — um que traz segurança e legitimidade, mas também questionamentos sobre o futuro da inovação. O equilíbrio entre controle e criatividade volta ao centro do debate: até que ponto a busca por estabilidade pode limitar o potencial transformador das tecnologias descentralizadas?

Idioma »