UMA JORNADA NO VALE DO SILÍCIO – PARTE I

Comumente, o termo jornada suscita a ideia de caminhada, de trajeto que se percorre durante determinado tempo.

 

De viagem, enfim.

 

No entanto, para mim, trata-se de expressão que pode abraçar outro significado: a descoberta, que pode ser de um lugar ou de nosso auto-conhecimento.

 

E, a partir da minha compreensão, desejo compartilhar nas linhas que se seguem, a minha breve jornada pelo Vale do Silício – pelo “Vale”, como carinhosamente me referirei ao longo do texto.

 

Jornada essa de descoberta, de novas perspectivas e da quebra de paradigmas que até então pautavam as minhas crenças e decisões no ecossistema de startups.

 

A partir de conversas que tive com founders de startups, investidores, professores e profissionais, que atuam no mercado de tecnologia, percebi a importância do substrato cultural amplamente produzido e compartilhado por profissionais e estudiosos da região. Vale dizer, da ambiência de excelência na qual o pessoal do Vale está inserido.

 

Neste sentido, é importante reconhecer o papel fundamental exercido pelas universidades e empresas que ali se instalaram. São entidades cujo protagonismo concorreu para a formação do éthos característico daquela vanguarda. Daquele celeiro de gênios.

 

Quando lá estive, fui irresistivelmente impactado pelo que vi, ouvi e li.

 

Vamos imaginar que essas universidades e empresas pudessem ser teletransportadas para outras partes do mundo, com certeza os resultados seriam outros. A dúvida é se seriam melhores, pois a ambiência propiciada por essas instituições poderia ser inovadora, instigante e vanguardista. Nunca teremos a resposta, mas quando me lembro da ideia, de seleção e evolução profissional podemos estabelecer alguns paralelos com as teorias evolucionistas.

 

Teoria que muitos creditam autoria exclusiva, da teoria da evolução, à Charles Darwin. Mas investigações históricas recentes ressaltam a importância dos estudos realizados pelo galês Alfred Russel Wallace, para quem os seres vivos evoluem e novas espécies surgem por meio da seleção do ambiente.

 

Pode parecer apenas um detalhe semântico, mas as primeiras interpretações sobre o darwinismo se apoiaram, fundamentalmente, no conceito de “natural”, amplamente associado a ideia de força, pavimentando com isso a conclusão de que somente as espécies mais fortes evoluíram. No entanto, para Wallace, as espécies que evoluíram foram as que souberam se adaptar ao “ambiente”.

 

E, neste sentido, a teoria wallaciana cai como uma luva para que entendamos o ecossistema do Vale do Silício.

 

As empresas que nasceram naquele ambiente estavam longe de serem as mais fortes – estrutural e economicamente falando – mas, por estarem inseridas na dinamicidade e multiculturalismo do Vale, evoluíram e, hoje, são consideradas, em regra, as mais aptas em termos de inovação e tecnologia.

 

Corriqueiramente, essas empresas têm um ponto em comum: founders com imensa capacidade de adaptação, sendo perfeitamente permeáveis, inclusive, à mudança do próprio ambiente de negócios.

 

É verdade que, em certos aspectos, o que acontece com essas empresas do Vale do Silício não é diferente do que ocorre com de outras localidades. Também no Vale, mais empresas morrem do que obtêm sucesso, o que acaba, por vezes, corroborando a perspectiva darwinista da não existência de força (econômica e estrutural) para o desenvolvimento dos empreendimentos que se extinguem prematuramente.

 

Entretanto, na minha opinião, é a capacidade de adaptação ao ambiente que fez diversos desses founders levarem suas empresas a escrever as histórias de sucesso que são conhecidas pela maioria das pessoas.

 

No plano pessoal, tive o privilégio de entrar na área de tecnologia no final da década de 80. Era um momento de transição, quando a microinformática, chamada à época de plataforma baixa, dava seus primeiros passos no Brasil.

 

Naquela época, nos deparávamos com as histórias das empresas nascidas em garagens nos EUA, com relatos sobre a introdução dos primeiros PCs nos bancos, na indústria, etc.

 

Nesse contexto, tive a oportunidade de vivenciar a disruptura dos mainframes para os servidores de diversas companhias com seus processadores da INTEL. Lembro-me, nos primórdios da internet, das apresentações na antiga FENASOFT, que ocorriam no pavilhão do Anhembi e agora acompanho, já há alguns anos, a melhoria na estrutura e conexão da internet, o movimento de startups em nosso país e a mudança de modelo de licenciamento de software para SaaS, entre outros.

 

E, junto com tudo isso, presenciei os NERDs virando pessoas COOL (para minha sorte!).

 

Não satisfeito de ter testemunhado o desenvolvimento da cena nacional, sempre quis buscar a fonte, o nascedouro daquela tecnologia que nós importávamos e tropicalizávamos para a nossa realidade tupiniquim.

 

Por conta disso, a criança que habita em mim falou mais forte. Eu precisava fazer essa jornada para conhecer a origem de tudo isso. Precisava sentir aquele ambiente, visitar lugares, conhecer pessoas e, ao me banhar naquele caldo cultural, poder tirar as minhas próprias conclusões. Mais práticas do que teóricas, mais intuitivas do que dedutivas. Enfim, eu precisava sentir o berço da disrupção.

 

Foram muitos os aprendizados, e, quero compartilhar três pontos que se destacaram para mim:

Relação founders / investidores;

Inteligência artificial;

Blockchain.

 

Em respeito ao precioso ativo que é o tempo, e em razão de ainda ter vários parágrafos para dividir com você leitor, tomei a liberdade de publicar esse artigo em 2 partes.

 

Confesso que voltei dessa viagem, digo, jornada, excitado e renovado! Acredito que eu tenha regressado ao nosso país com o mesmo sentimento que nutri quando levei os meus filhos pequenos aos parques da Disney: voltei maravilhado.

 

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