O QUE CAMPOS NETO APRESENTOU NA FEBRABAN TECH

Estamos entrando numa fase do que a gente imaginou em termo de evolução tecnológica, muito interessante, que é onde a gente começa juntar os pedaços, a gente tinha um pedaço aqui outro pedaço ali, que estavam muito soltos. As pessoas falam tem o PIX, open finance, PL cambial, tem a CBDC, e o que quero mostrar hoje aqui é que é tudo a mesma coisa, que tudo está integrado no mesmo projeto. Coisa que nasceram muito separadas e que vão terminar juntas”, afirmou Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central do Brasil, em sua palestra na FEBRABAN Tech, realizada em São Paulo.

 

O tema central da palestra de Campos Neto foi como monetizar ativos digitais, como esses valores podem ser distribuídos, verificados e transferíveis, e sobretudo a visibilidade de todo esse processo, pois as pessoas estão cada vez mais procurando representação digital de algo que tenha valor.

 

Durante os três dias do evento, havia uma grande expectativa de ouvir o presidente do BACEN, que hoje lidera um órgão que ganhou independência, conta com uma agenda ativa e de destaque no mercado financeiro, entre tantos atrasos em nosso País.Vimos um representante do governo alinhado com as tendências e com a humildade de estar aberto a aprender, citou sua viagem ao Vale do Silício, e inclusive o debate com gamers, buscando compreender como foram desenvolvidas muitas das tendências debatidas nesse painel.

 

“E hoje nós temos um sistema de pagamento PIX que já está funcionando. Mas continuamos com objetivo de conectar tudo, ter um sistema interoperáveis, com pagamentos, depósitos tokenizados, open finance, monetização de dados, stablecoins, tudo em uma trilha única”.

Campos Neto

 

 

Outro destaque da palestra foi sobre a internacionalização do PIX, a princípio na América Latina, destacando que já iniciou conversas com o presidente do Banco Central da Colômbia para importar a tecnologia desenvolvida aqui no Brasil, aproveitando a presença hoje de nossas instituições financeiras em diversos países na região o que abre em paralelo oportunidades para diversos expositores desse evento, e claro, a ampliação do nosso mercado, além de comentar sobre a globalização precisamos nos posicionar também como fornecedores internacionais.

 

Quando falou do processo de desenvolvimento do PIX, Campos Neto destacou os problemas que busca solucionar, pautando em pilares como a experiência de gamers na criação deste novo meio de pagamento que deveria ser: seguro, rápido, barato, aberto, transparente e integrado ao seu ecossistema. E quando citou aberto, reforçou ser programável, diferente do padrão criado na Índia e na China (wechat).

 

 

 

MONETIZAÇÃO DE DADOS

 

Sobre monetização de dados Campos Neto destacou a deficiência que as empresas têm neste ponto, acredita que temos muito ainda por avançar, e durante a sua apresentação, interrompeu para citar André Vellozo CEO da DrumWave, que está desenvolvendo a D-Wallet, uma plataforma de monetização de dados, onde você consegue acumular e monetizar seus próprios dados, além de  ter uma comunicação direta com as empresas.

 

Estive no vale do Silício com o André, e tive a oportunidade de conversar com ele no evento, esse tema dentro da WEB 3.0 é disruptivo, e algumas empresas de tecnologia, fintechs e startups que ainda estão focados em produtos de bancos de dados relacionais, sequer tem equipes preparadas para o uso de dados com blockchain, nesse caso, minha sugestão, é pesquisarem sobre a monetização de dados, pois essa tecnologia pode romper todo o formato de troca de dados estabelecido nessas duas últimas décadas.

 

 

 

CBDC – Central Bank Digital Currency

 

“O grande debate no mundo de Finanças e tecnologia, é se estamos migrando para uma  economia tokenizada?”

Roberto Campos

 

Sua fala se desenvolveu em torno de que o mundo financeiro tem uma dicotomia entre a account base e token base, e se a tese da tokenização for verdadeira, então o século XXI será um período de criação de redes multi-ativos, reguladoras, globais e tokenizadas.

 

Para Campos Neto, o CBDC, é um fomento para novos modelos de negócio que envolvem depósitos tokenizados, o Brasil segue um caminho diferente e a diferença entre ativo e passivo acaba entrando no balanço do BACEN para evitar a corrosão nos balanços dos bancos, o que não é o desejo da gestão do Banco Central.

 

O propósito é de transformar depósitos dos bancos e IPs em tokens e na sequência em stablecoins, podendo ser convertidos em CBDCs, em 1×1, sob demanda, herdando características dos depósitos equivalentes. Esse modelo deve caminhar para a securitização de outros ativos das instituições financeiras e toda a regulação dos depósitos transborda para o CBDC, o que minimiza o impacto na adoção, segundo o presidente do BACEN.

 

Ao final do painel Campos Neto trouxe um dos temas mais citados no Google trends, criptoativos, que tem um debate dos Bancos Centrais em regular, mas a posição do nosso Presidente foi clara, transparência nas compras dos ativos, uma vez que a perda dos ativos não é obrigação do BACEN, mas responsabilidade dos investidores, o que, no meu entendimento, reforça que a educação financeira é uma busca constante para todas as pessoas.

 

A dúvida que fica sobre o arranjo criado é se as instituições financeiras irão criar suas stablecoins para trafegar no sistema no varejo, e ao mesmo tempo serão lastreadas em 1×1 pelo CBDCs e pelo BACEN, levando com isso todo risco de liquidez e nos levando a um uso somente entre uma rede interbancária. Será que é isso mesmo?

 

Segue link da apresentação do Roberto Campos Neto, e recomendo a todos os profissionais que atuam no mercado financeiro, tanto em bancos, financeiras, fintechs e startups, assistam, para podermos debater sobre a palestra do líder do BACEN.

 

 

 

 

 

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