Investimento em Lato Sensu


Mesmo com os desafios socioeconômicos que todos nós estamos passando há um ano em decorrência da crise sanitária mundial, há um fato inegável na mudança de comportamento da sociedade brasileira: nunca se falou tanto sobre investimento.

Na minha opinião, isto se deve a dois motivos: a melhora da qualidade de vida com aumento da renda dos brasileiros nos últimos 20 anos e o surgimento no mercado de profissionais inovadores que desmistificaram o investimento, como algo que parecia restrito somente àqueles com alto poder aquisitivo.

Hoje, uma boa parcela das pessoas economicamente ativas já teve contato ou investiram em Tesouro Direto, CDB (Certificado de Depósito Bancário), LCI (Letra de Crédito Imobiliário), LCA (Letra de Crédito do Agronegócio), ações de empresas e fundos de investimentos.

Porém, há alguns tipos de investimentos que muitos consideram como despesas ou gastos por não fazerem uma análise mais aprofundada da situação. Vou citar alguns exemplos para ilustrar melhor.

Quando um pai resolve matricular o seu filho numa escola particular, logo ele pensa nos boletos que chegarão e que serão parte das suas despesas mensais. Todavia, ele está fazendo um ótimo investimento para o futuro do seu filho pela boa educação oferecida, e que consequentemente, possibilitará a ele maiores chances no mercado de trabalho.

Eu, particularmente, tomei duas decisões que poucos tomariam se pensassem exclusivamente no dinheiro.

A primeira foi quando eu resolvi mudar de São Paulo em 2011, passando a morar num estado menor, que é o Espírito Santo, para uma oportunidade profissional em que não haveria vantagem em relação ao meu último salário, pelo contrário, eu aceitei o desafio de ganhar um salário menor da média que eu ganhava nos últimos anos, com downgrade de função. Mas, qual era o investimento que estava fazendo naquele momento? Qualidade de vida.

Morando numa cidade menor e com maior mobilidade, tive a oportunidade de realizar uma grande reforma íntima e praticar com mais ênfase o autoconhecimento. Com isto, eu adotei um novo estilo de vida a partir de 2012, e por meio da corrida de rua e hábitos saudáveis, eu saí da obesidade grau 2 até chegar no meu peso ideal. Nestes anos da prática do esporte, eu comecei do ponto zero até chegar à maratona.

Com todos estes acontecimentos, cheguei aos meus atuais 47 anos sem consumir nenhum tipo de remédio. Vocês fazem ideia de quanto representa para o bolso não ter gastos com farmácia anos a fio? Sem dúvida, isto é um excelente investimento.

A segunda decisão que eu quero compartilhar com o leitor é a de ter “investido” num projeto pessoal, com a construção de um canal de conteúdo no YouTube, o “Vida e Performance”. Planejado para iniciar em fevereiro de 2019 para comemorar o meu aniversário de 45 anos, idealizei um canal multicultural de entrevistas e de temas que eu mesmo desenvolveria. Para iniciar de forma minimamente profissional, eu contratei uma consultora de marketing para desenvolvimento da marca e do conceito e contratei um estúdio para gravação e edição dos vídeos.

Para muitos, gastar dinheiro e tempo com um projeto deste seria totalmente infundado por se tratar de algo lúdico, mas qual foi o retorno que eu tive nestes dois anos após entrevistar mais de 90 convidados entre artistas consagrados, empresários, jornalistas, professores, atletas, políticos e youtubers? Eu ampliei de forma inimaginável o meu networking, fiquei amigo de vários ídolos, criei parcerias comerciais com empresas apoiadoras do projeto e lancei no mercado um talk show de atendimento ao cliente e comunicação em parceria com uma grande artista que entrevistei.

Por fim, fica como reflexão que devemos ampliar o conceito de investimento.

E você? Qual será a sua próxima investida?

Abraços e até a próxima!

Compartilhar:

WhatsApp
LinkedIn
Twitter
Facebook
  • One thought on “Investimento em Lato Sensu

Deixe um comentário

Mais artigos

ENTRE TOKENS E EDUCAÇÃO: REFLEXÕES DE AGOSTO SOBRE REGULAÇÃO, WEB3 E INCLUSÃO

Agosto foi marcado por dois movimentos de grande impacto no setor financeiro e de inovação. De um lado, o Banco Central trouxe novas regras para as fintechs, ampliando os requisitos de capital e governança. Essas mudanças refletem a maturidade alcançada pelo setor, mas também a pressão crescente causada por fraudes e ataques que vêm testando a resiliência do sistema. Como comentei recentemente, a autoridade monetária reforça seu papel de guardiã da confiança.

QUANDO O ASSUNTO É IA, SERÁ QUE VOCÊ ESTÁ OLHANDO PARA O LUGAR CERTO?

Na pressa de adotar a inteligência artificial, muitas empresas estão mirando direto no que brilha — e ignorando o que realmente sustenta a transformação. Uma metáfora da astronomia ajuda a enxergar o que está faltando

Empresas das mais diversas áreas estão anunciando estratégias de inteligência artificial com entusiasmo, urgência e, muitas vezes, pouca reflexão. O desejo de parecer moderno, competitivo e “em dia com o futuro” tem feito com que a adoção da IA aconteça de forma apressada, guiada por tendências de mercado e pressão por inovação.

DIFERENÇAS TÉCNICAS E ESTRATÉGICAS AO UTILIZAR INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Desde a popularização dos grandes modelos de linguagem (LLMs), como o ChatGPT, uma dúvida recorrente em equipes técnicas, jurídicas e de produto é: o idioma do prompt interfere no desempenho da IA? A resposta é afirmativa e não se trata apenas de nuances linguísticas ou preferências estéticas. O idioma impacta diretamente o custo, a velocidade e a qualidade da resposta.

ALÉM DO HYPE: COMO A IA E O BLOCKCHAIN ESTÃO CONSTRUINDO CIDADES MAIS INTELIGENTES E REAIS

Por anos, fomos bombardeados com promessas de como a tecnologia iria revolucionar nossas cidades. Termos como “blockchain”, “inteligência artificial” (IA) e “cidades inteligentes” apareceram em campanhas de marketing, conferências e painéis futuristas. Mas a realidade parecia sempre distante: muitas dessas ideias soavam mais como ficção científica do que como soluções para os desafios reais que vivemos todos os dias nas cidades.

Idioma »