ESG – Ganha quem se importa

ESG – Ganha quem se importa

Environmental, Social and Governance: em português, diz-se “ASG”, em referência a Ambiental, Social e Governança. O Brasil já está sendo considerado um país em busca de boas práticas nas áreas e essa pauta é tão importante que deve ser levada em consideração pelos países que desejam atrair investidores nacionais e estrangeiros.

 

Segundo matéria do jornal  do estado de São Paulo, “o ingresso nesse mercado é considerado estratégico porque o mundo vive um momento de grande oferta de recursos, ao mesmo tempo que investidores têm cobrado cada vez mais um compromisso firme com a pauta ESG – já existem fundos que aplicam seus recursos exclusivamente nesse tipo de ação. Até agora, 22 países fizeram emissões de títulos públicos ligados ao “selo”, número que tende a crescer rapidamente nos próximos meses.

 

Fonte: Tesouro estuda emissão de títulos públicos com ‘selo ESG’ – 02/02/2021 – UOL Economia

 

 

Considerando esse cenário, empresas de todos os portes, startups, etc. precisam entender como implementar e se adequar segundo os preceitos de ESG e quais os impactos dessa escolha para os investimentos.

 

 

ESG é importante para os negócios

 

Isso depende da atividade específica de cada empresa, mas no geral não devem se preocupar somente com seus acionistas e investidores, com o lucro a qualquer custo, mas um olhar em como impactar e gerar valor a todos os envolvidos. O melhor caminho para estabelecer práticas de ESG é fomentar uma cultura organizacional que promova um ambiente seguro, respeitoso e incentivado a promover a inclusão, diversidade, equidade e sustentabilidade nas organizações proporcionando por sua vez vantagens competitivas, melhora de reputação, maior lucratividade até à incrementação do valuation (valor de mercado) do negócio ao longo do tempo.

 

Vários instrumentos financeiros têm sido criados para viabilizar a captação de capital voltado ao financiamento de atividades econômicas sustentáveis. Destacam-se, aqui, os Títulos Verdes, Sociais, Sustentáveis (combinação entre o Verde e o Social) e Vinculados à Sustentabilidade – também conhecidos como Green, Social, Sustainability e Sustainability-Linked Bonds, por sua vez são negociados nos mercados de capitais para atrair investimentos para projetos que têm como propósito um impacto socioambiental positivo. Os Sustainability-Linked Bonds (SLB) está atrelado a dívida cujo objetivo final é fazer com que o emissor alcance metas ESG, calibradas a partir de indicadores-chave de desempenho, os chamados Key Performance Indicator (KPIs). Tais títulos podem ter suas características financeiras e estruturais alteradas a depender do atingimento ou não das metas de sustentabilidade que foram pré-estabelecidas.

 

Alguns exemplos de SLB, por tipo, segundo a B3:

 

Títulos Verdes (Green Bonds): Adaptação às mudanças climáticas; conservação da biodiversidade terrestre e aquática; edifícios verdes; eficiência energética; energia renovável; gestão sustentável das águas e águas residuais; produtos; tecnologias e processos de produção ecoeficientes e/ou adaptados à economia circular; prevenção e controle de poluição; transporte limpo.
Títulos Sociais (Social Bonds): Acesso a serviços essenciais, geração de empregos e programas projetados para prevenir e/ ou aliviar o desemprego decorrente da crise socioeconômica, inclusive por meio do efeito potencial do financiamento de Pequenas e Médias Empresas (PMEs) e microfinanças; habitação a preços acessíveis; infraestrutura básica acessível; segurança alimentar e sistemas alimentares sustentáveis.
Títulos de Sustentabilidade (Sustentability Bonds): Projetos com caráter socioambiental (Green e Social combinados
Títulos Vinculados à Sustentabilidade (Sustentability Linked Bonds): indicador: gestão de emissões / meta: reduzir em 15% a intensidade de emissões de gases do efeito estufa (GEE) até 2030; indicador: gestão de resíduos / meta: 97% de resíduos reciclados até 2025; indicador: energia renovável / meta: atingir 100% de consumo de energia elétrica renovável até 2022.

 

 

Podemos destacar como principal vantagem a responsabilidade social por trás do investimento e dessa maneira, o investidor não só consegue rentabilizar o montante investido, como também entender que os recursos foram direcionados para iniciativas com propósito social.

 

 

O assunto está em alta e destaco as publicações:

 

• Sebrae faz menção em seu portal de notícias: ASN – Startup de gestão de resíduos atrai investimentos e se prepara para expansão no país (agenciasebrae.com.br);

 

• Deloitte aborda o tema em uma conotação de acelerar os negócios: Nossa visão ESG | Risk Advisory | Deloitte Brasil;

 

• Folha de São Paulo explica detalhes das ações e métricas :Bolsa prevê lançamento de novos índices ESG; veja mais sobre sustentabilidade nos negócios – 28/08/2021 – Mercado – Folha (uol.com.br);

 

 

Por fim, é de extrema importância as empresas iniciarem a conscientização perante o tema e tomar alguns cuidados com relação a greenwashing, ou “banho verde” por exemplo que trata  da apropriação de virtudes ambientalistas através do uso de técnicas de marketing e relações públicas para criar, perante a opinião pública, uma imagem positiva de forma a ocultar ou desviar a atenção para impactos negativos gerados por essas companhias. É uma verdadeira manipulação então por isso a empresa precisa ter a transparência como uma de suas principais práticas.

 

 

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